29.6.10

Maiorias X Minorias, Hábitos e Tendências

Ana Paula Cortat em seu post "A maioria não diz tudo" do Blog Sapo de Dentro, faz uma reflexão interessante sobre os paradoxos do dia-a-dia.
Segue a transcrição na íntegra:

Sou uma pessoa totalmente comum, dessas que podem facilmente se confundir na multidão.

Trabalho, estudo, namoro, tenho um cachorro, ligo pra minha mãe em BH toda semana, me preocupo com o futuro e tento retribuir as ajudas que recebi e recebo ajudando outras pessoas. Na maior parte do tempo faço coisas que a maioria das pessoas faz, o que não quer dizer muita coisa.

Acordo no sábado de manhã e vou passear com o cachorro. Pego a coleira, separo os saquinhos de plástico para recolher a caca e aí ... nada de eu achar que isso é suficiente.

Ultimamente, não consigo deixar de pensar que esses saquinhos podem ir parar no nariz de um golfinho.
É sempre o mesmo dilema: saquinho de plástico x não recolher a caca do meu cachorro. É claro que eu sempre opto por recolher a caca com o saquinho, enquanto fico pensando em como seria bom se os saquinhos destinados pra isso fossem de papel reciclado e se as ruas tivessem latas de lixo onde eu pudesse jogá-los. Ou será que faria mais sentido a gente recolher com uma pá de papel e jogar a pá em uma lata de lixo para papel e a caca em um lixo orgânico? É duro ter um cachorro e não ter uma graminha pra ele adubar.


Mas não é só isso. Tem o lixo em geral. No meu prédio não tem coleta seletiva de lixo. Dói meu coração ver aquelas garrafas misturadas com lixo orgânico e papel nas lixeiras porque o pessoal daqui diz que é muito complicado conseguir quem recolha o lixo separado e eles acreditam que, no final, tudo vai acabar em um lixão mesmo.

Eu posso até discutir a parte da empresa de coleta seletiva, mas contra a falta de crença e de confiança eu não posso fazer muito. É difícil discutir com pessoas que não acreditam no poder transformador de suas próprias atitudes e não há muito o que ser feito sobre a falta de crença.

Como você sabe, nosso sistema de valores é baseado em crenças: o amor, a fé, a amizade, a confiança, o futuro. Não é o amor que acaba, é a crença que temos na existência dele. O mesmo vale pra todo o resto. Na verdade, as coisas nem começam se não existe alguém que acredite nelas.

Muito bem, de qualquer forma, eu preciso cuidar do lixo independente das decisões equivocadas das pessoas do meu prédio. Portanto, mãos a obra: o lixo precisa ser separado, lavado e entregue em um ponto de coleta. Depois o carro precisa ser lavado, é claro. De preferência sem usar água. É nessa hora que eu tenho que escolher entre usar água ou gastar combustível em busca de um lava-jato ecológico.

E a quantidade de papel que a gente recebe em todos os eventos dos quais participamos? Crachá, pastinha (de plástico) que a gente nunca mais vai usar, bloquinho para anotações (que tal anotar no Blackberry, no note ou no Iphone¿) e um monte de folhetos e brindes, tudo adequadamente impresso e embalado. Uma vez eu vi uma cena impressionante no final de um evento de vários dias: as pessoas pediram sacos de lixo e iam descartando (sem separar) aquele monte de coisa sabe-se lá pra ir parar onde.

Tudo bem, vai ver que eu não sou uma pessoa assim tão comum. Vai ver que a maioria das pessoas sequer pensa nessas coisas. Pelo menos não ainda. De repente eu só faço parte daquele percentual que sobra depois que a maioria é identificada.

Isso me lembra uma das coisas mais importantes que aprendi estudando e trabalhando em marketing:


"logo depois que você tomar conhecimento do que a maioria pensa, ao invés de agir dê um tempo. Lembre-se que pesquisas são instantâneos da realidade, se recupere do impacto causado pelo volume de pessoas que a maioria representa (afinal, é muita gente) e procure os números pequenos, é neles que estão as tendências, os sinais que indicam para onde as coisas estão caminhando."

Portanto, se você faz parte de alguma minoria estatística, não desanime e continue acreditando seja lá no que for. Acreditando no que faz você ser quem você é e no poder de influência que pode ter sobre a maioria. Afinal, você é, no mínimo, um indício do que está por vir. E isso, na vida e marketing, diz muita coisa.

(Ana Paula Cortat é Vice-presidente de Estratégia de Marca do Grupo Isobar no Brasil).


Fonte: Sapo de Dentro

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